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A Lucy já caminhava como o homem moderno
Australopithecus afarensis tinha o pé arqueado





Osso descoberto é um metatarso.
Um osso de um pé de uma espécie de hominídeo de há 3,2 milhões de anos, à qual pertencia a famosa Lucy, uma antepassada do Homo sapiens, revela que a espécie andava bem sobre as pernas. Os resultados da descoberta são publicados hoje, na revista «Science».

Um trabalho de investigadores norte-americanos cita a forma de um osso do pé fossilizado encontrado na Etiópia demonstra que os australopithecus afarensis tinham os pés arqueados como o homem moderno. O osso descoberto, em Hadar, é um metatarso, parte do pé situada entre o tarso e o dedo.
Para um dos autores da investigação, o paleontólogo William Kimbel, "o desenvolvimento de um pé arqueado assinala uma mudança fundamental na evolução da condição humana", já que representa "o desaparecimento da capacidade de uso do dedo grande do pé" por parte dos australopithecus afarensis para "se pendurarem nos ramos".

"O que indica que tinham finalmente abandonado a vida nas árvores para viver no solo", sustentou. Com um pé arqueado, os australopithecus afarensis podiam, sem problemas, explorar o campo e deixar a floresta em busca de alimento.

O Australopithecus afarensis viveu na África há mais de três milhões de anos e tinha cérebros menores e mandíbulas mais fortes que o homem moderno. Antes deles, registos fósseis revelaram que no Quénia e na Etiópia viveu o Australopithecus anamensis, há 4,2 milhões de anos.

Ainda anteriormente, o Ardipithecus ramidus, o mais antigo ancestral humano, vivia da Etiópia há 4,4 milhões de anos. Embora as espécies fossem bípedes, passavam a maior parte do tempo em árvores e os seus pés ainda tinham características mais semelhantes aos dos primatas como os chimpanzés.



Artigo baseado no site online Ciência Hoje.
2011-02-11

A Outra Face de Newton
Quando as pessoas pensam em Isaac Newton, associam-no habitualmente a uma maçã a cair de uma árvore, surgerindo a criação da teoria da gravidade. Mas, na verdade, há provas iniquívocas que insinuam que ele não descobriu a teoria naquele momento específico. Antes pelo contrário, o que de facto o colocou no caminho de uma das mais importantes teorias da ciência foi o seu envolvimento com o ocultismo.

Newton nasceu em 1642 no seio de uma família razoável rica que vivia na aldeia de Woolsthorpe. Sempre foi um rapaz bastante independente, introvertido, que não se deu particularmente bem na escola até por volta das catorze anos. Foi para a Universidade de Cambridge em 1661 e em pouco tempo deixou-se influenciar pelos estuddantes mais velhos, que se interessavam superficialmente pela arte dantiga da alquimia, interesse que transmitiram a Newton.

Isaac Newton era um puritano que acreditava na ideia de Deus e nas obras de Deus, ouseja, dedicava-se aos ensinamentos da Bíblia. Acrediatava que era seu dever decifrar o quebra-cabeças da vida, investigar tudo o que havia para saber acerca do mundo - estudar as obras de Deus.

Durante a vida de Newton, a alquimia era ilegal e punível com pena de morte. A sua reputação académica também seria destruída se ele tivesse sido descoberto, mas, ainda assim, passou mais tempo em pesquisas alquímicas do que na prática científica ortodoxa. De facto, quando morreu, em 1727, descobrui-se que ele possuíra a maior biblioteca de literatura do ocultismo algumas vez coleccionada e que ele próprio tinha escrito mais de um milhão de palavras sobre o assunto.

Newton enquanto estudava alquimia, também seguia naturalmente a carreira científica convencional. tornou-se o segundo professor lucasiano de Matemática em Cambridge.

De acordo com os livros de História, o maior feito de Newton - a sua explicação da teoria da gravidade em 1666 - ocorreu-lhe enquanto estava em casa da mãe em Woolsthorpe. Pois durante a peste negra, refugiou-se no campo, fugindo da cidade onde estava instaurada a morte. É mesmo possível que um dia o matemático se tenha sentado debaixo de uma macieira enquanto meditava sobre o significado da gravidade e tenha visto uma maçã a cair. Isto pode ter acelerado o seu raciocínio, mas é ridículo pensar que todo o conceito da gravidade lhe surgiu assim, de um ímpeto. Provavelmente, inventou essa história para esconder o facto de que usou a alquimia na dedução da famosa teoria.
Mais bibliografia: Michael White, Issac Newton: The Last Sorcerer, Fourth Estate, 1997
Cérebro humano encolheu dez por cento em 30 mil anos
Diminuição cerebral pode ser efeito da evolução face a sociedades mais complexas

Ao longo de 30 mil anos o cérebro humano encolheu dez por cento, o equivalente à dimensão de uma bola de ténis. O seu volume médio passou de 1500 para 1359 centímetros cúbicos, sendo que o das mulheres, que é mais pequeno do que o dos homens, sofreu proporcionalmente a mesma redução.

Este é um fenómeno que intriga antropólogos, cuja maioria aposta mais na hipótese de se tratar de um efeito da evolução face a sociedades mais complexas, do que de um sinal de embrutecimento.

O homem de Neandertal, um “parente” do homem moderno desaparecido há 30 mil anos por razões ainda não totalmente clarificadas, era mais forte e tinha um cérebro maior. O homem Cro-Magnon, que pintou as paredes da caverna de Lascaux há 17 mil anos, foi o Homo sapiens com maior cérebro. Era igualmente mais forte do que os seus descendentes.

Tais recursos eram necessários para sobreviver num ambiente hostil”, sublinhou David Geary, professor de psicologia da Universidade de Missouri (Estados Unidos) e autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do cérebro humano ao longo dos anos.

Partindo desta constatação, o investigador estudou a evolução da dimensão do crânio, no período compreendido entre 1,9 milhões e dez mil anos atrás, e como os nossos antepassados viviam em processos sociais mais complexos. Partiu do princípio de que uma maior concentração humana era importante, pois haveria maior intercâmbio entre grupos, maior divisão de trabalho e interacções mais ricas entre os vários indivíduos.

O investigador constatou igualmente que o tamanho do cérebro diminuía quando a densidade populacional aumentava. “De facto, na emergência de sociedades mais complexas, o cérebro humano tornou-se mais pequeno porque os indivíduos não têm a necessidade de tanta inteligência para sobreviverem, são ajudados pelos outros”, explicou David Geary.

Contudo, esta redução do cérebro não quer dizer que os homens modernos são mais idiotas do que os seus ancestrais, mas que desenvolveram outras formas de inteligência mais sofisticada, frisou Brian Hare, professor adjunto de antropologia na universidade de Duke (Carolina do Norte).

O especialista fez ainda um paralelo entre os animais domésticos e os selvagens. Assim, os lobos de Alsácia (pastor alemão) têm um cérebro mais pequeno do que o dos lobos, mas são mais inteligentes e sofisticados porque compreendem os gestos de comunicação entre os homens. “Isto mostra que não há relação entre o tamanho do cérebro e o quotidiano intelectual”, que se define sobretudo pela capacidade de induzir e criar, insistiu Brian Hare.

O mesmo se passa com os chimpanzés. Agressivos e dominadores, têm um cérebro maior do que os macacos bonobos, mais "civilizados" pois utilizam a simulação do acto sexual ou acasalamento para resolver os conflitos.

(artigo baseado no site online Ciência Hoje,
2011-02-07)